Wednesday, November 19, 2008

P2 - Zona de Risco, de Franck Khalfoun


Quem não perceber logo no início do filme que P2 se refere ao segundo andar do estacionamento subterrâneo do edifício onde a protagonista trabalha, não se preocupe, o realizador faz questão de o mostrar até à exaustão. Se o nosso olhar se desviar dos actores para as paredes do cenário, não há o que enganar. Parece que alguém andou de pincel e balde atrás da câmara.

Para se começar por aqui a crítica a um filme dito de suspense, já se percebeu que desse ingrediente o filme não tem muito. Efectivamente, P2 é um acumular de clichés do género stalker e nem os seios naturais da protagonista Rachel Nichols (sempre prontos a saltar do vestido apertado que, se não fosse já suficientemente revelador, ainda é encharcado por um revés do enredo) contam como novidade (The Amityville Horror, 2005).

Uma jovem executiva a trabalhar até tarde na véspera de Natal acaba por ser a última pessoa a deixar o escritório e dá por si retida dentro do prédio, com os cumprimentos do segurança nocturno do parque de estacionamento, que fez questão em ter companhia na consoada, drogando-a e trocando-lhe o traje de executiva pelo de odalisca. O resto do filme é ela a fugir e ele a persegui-la, mas sem imaginação, emoção ou criatividade.

Wes Bentley, para quem se imaginava um grande futuro após Beleza Americana, é o psicopata de serviço, mas não é convincente nem interessante. O papel é estúpido, mas ele ainda consegue despojá-lo de qualquer intenção; está ali para parecer intenso e debitar one liners de que até o Freddy Krueger se envergonharia. Rachel Nichols está lá para gritar e fugir, o que faz com desembaraço e vulgaridade.

O estreante Franck Khalfoun fez um curto papel (mais parecido com figuração, mas enfim) no filme de Alexandre Aja, Alta Tensão, e agora é co-argumentista de P2. Aja veio para os EUA realizar o remake de As Montanhas Têm Olhos e já é claro que, como argumentista, desconhece o conceito de lógica interna (quando a jovem está barricada dentro de um elevador, o psicopata inunda o cubículo com uma mangueira de incêndios; curiosamente, ela não morre electrocutada quando os fios e as luzes se molham e as portas do elevador continuam a funcionar) e de entretenimento (as soluções de fuga que a jovem encontra são muito pobrezinhas). Khalfoun tem uma mise-en-scéne mais discreta que Aja, mas igualmente aborrecida.

P2 2007

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