Tuesday, March 28, 2017

Anjos e Sombras, de Declan Dale

Uma moça sozinha desce de saltos e minissaia os degraus da estação do metropolitano e vê um albino vestido de fato branco a caminhar sobre o espaço entre as plataformas. No dia seguinte, vê uma asiática vestida à Lady Gaga. Um cartaz publicitário observa-a. Um polícia foi morto nessa estação, nessa noite, e o parceiro quer apanhar o culpado. Mas o bairro é maioritariamente habitado por minorias e ninguém fala. No final, há uma analepse para o que já se percebeu. Até lá, bate-se no ceguinho até toda a gente perceber. E, sim, há uma razão para se pensar logo em Irreversível (2001).

Declan Dale é o pseudónimo com que Gee Malick Linton se viu obrigado a assinar o seu primeiro filme, desiludido com a interferência do estúdio que lhe transformou o projecto sobre violência policial e violação de mulheres e crianças num policial genérico misturado com surrealismo de pacote. Estrelam Ana de Armas e Keanu Reeves, juntos desde Knock Knock (2015), ele com um papel secundário que a montagem esticou, tornando insuportável o seu perpétuo estilo sonolento e ela muito emocionada, muito religiosa, com olhos grandes, bochechas e um cabelo preto que lhe recorta o rosto como o de Tiffani Thiessen. Mira Sorvino continua secundária. Parece circular paralelamente uma versão do realizador, montada por Hervé de Luze, para quem quiser saber o que Gee Malick Linton tinha em mente desde 2009.


Exposed 2016

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