Desde 1993 que Jennifer Chambers Lynch não arriscava sentar-se atrás das câmaras. Três anos antes, o pai, David Lynch, tinha-lhe dado o rebuçado de escrever O Diário Secreto de Laura Palmer, publicado para capitalizar no sucesso da série televisiva Twin Peaks, e Jennifer tratou o projecto como um trabalho de casa, porque lhe diziam que sabia juntar frases. Boxing Helena – Paixão Selvagem(1993) foi a sua estreia na realização e no guião, mas o falhanço foi tal que só década e meia depois se viu confiante o suficiente para tentar novamente.
Vigilância é um filme independente, com poucos cenários e um restrito grupo de personagens, construído como uma dança entre duas cenas, causa e consequência, que se digladiam através de um interrogatório e respectivos flashbacks. Para assegurar a integridade do jogo, foram escolhidos dois actores que se mostraram tudo menos naturais: Bill Pulman e Julia Ormond, com Michael Ironside em apoio secundário. Há uma razão para estas interpretações afectadas, mas nem por isso estas satisfazem ou convencem. A história, curiosa para ser simpático, estica demasiado a credibilidade, ficando na dúvida se chegou a partir, o que dependerá do grau de resistência do espectador.
Inicialmente, há uma certa sensação de regresso a Twin Peaks, território familiar ao clã Lynch, com um par de agentes do FBI a entrarem numa esquadra local para questionarem as testemunhas de um homicídio em série (as vítimas ascendem a seis) e, sem excepção, todos se comportam de forma histriónica. Mas rapidamente a estranheza passa a saturação, devido a um ritmo lento que antecipa os twists muito antes de serem revelados, porque a comédia negra se gasta no vazio e o sadismo em seco provoca enfado.
Apesar do ditado popular, Jennifer Chambers Lynch apenas deixa provado que filha de peixe... molha-se. A desistência do actor Billy Burke a dias do início das filmagens (preferiu ser pai de Bella na sagaCrepúsculo) fez chamar Bill Pulman, amigo da família, escolha inglória pelas caretas deslocadas que produz constantemente e por ser doze anos mais velho do que Julia Ormond (Burke é praticamente da idade dela). French Stewart (da sitcom 3º Calhau A Contar do Sol) foi outro tiro no pé. Apesar de manter algumas interrogações ao longo do filme, o fio que sustém o interesse é demasiado ténue para aguentar tanta monotonia. Apesar de tudo, há mérito nas opções de fotografia de Peter Wunstorf.
Surveillance 2008
Dizer que A Tribo nem aos fãs de Jewell Staite interessa, não é um eufemismo. A história mais interessante por trás do filme encontra-se nos bastidores, não da filmagem, mas da produção. Filmado entre 2006 e 2007, acabou por encontrar o cenho franzido do produtor Mo Ramchandani, que exigiu extensas refilmagens, o que não encontrou a disponibilidade do elenco, entretanto disperso. A boa vontade do produtor foi tal que atirou a bobina para a prateleira e contratou um novo realizador, argumentista e actores, rodando tudo de raiz. Apenas o mimo que faz de macho alpha da tribo foi mantido (um duplo chamado Terry Notary).O novo filme terá o título A Tribo Perdida e é previsto para o final do ano.
Jewel Staite, conhecida do grande público como a querida mecânica da série Firefly e subsequente filme Serenity (2005), acabou por ser dispensada da obrigação de repetir as suas cenas com a acusação de ser uma prima donna, mas vozes mais conciliáveis invocam a necessidade de estar no set da na série Stargate Atlantis (entre 2005 e 2009, entrou em 33 episódios) e subsequente filme Stargate Extinction (2009) como razão para a sua exclusão.
A Tribo surgiu em 2009 directamente para vídeo, provavelmente para aproveitar a celeuma, e isso faz de A Tribo Perdida um remake produzido antes da estreia do original. O que dizer da versão que o produtor pôs na prateleira? Que devia ter ido para o lixo.
Jewel Strait apresenta-se com uns quilos a mais e um papel serôdio, que parte num iate geração minúscula em busca de um resort nas Antilhas, mas vai parar a uma ilha que não consta dos mapas e é habitada por uma tribo de canibais (com ar de macacos do 2001 – Odisseia no Espaço) desejosa de carne que não lhes deixe pêlos agarrados aos dentes. Como já se percebeu que se trata de uma película de vitimização numa ilha perdida, cabe indicar que, com ela, seguem o musculado namorado (Justin Baldoni), o irmão deste (um jovem de cara mimada e um sério problema de calvície), e um casal amigo constituído por um gordo e a sua interesseira e jovem esposa (Nikki Griffin, um corpo espectacular completamente desperdiçado).
As parvoíces da história: logo à partida notam que o GPS está estragado, mas abalançam-se de qualquer modo; o iate encalha nas rochas e todos os tripulantes caem no mar, independentemente de estarem no interior da embarcação; a bagagem dá milagrosamente toda à costa e no sítio onde eles acordam; o namorado desaparece, deixando a toalha onde dormia cheia de sangue e um rasto na areia em direcção à selva, mas afinal o sangue proveio de uma ferida na perna que nem sequer o impede de correr como um profissional; a tentar salvar a vítima de uma armadilha, suspensa de uma árvore, o irmão do namorado cai de uma árvore, o equivalente a três andares de uma construção urbana, e desata a correr como se nunca tivesse saído do chão; a meio da perseguição que a tribo lhes move, os dois sobreviventes acham conveniente pararem no meio da selva para discutirem; os membros da tribo são cegos e precisam de cheirar ou ouvir as vítimas para as apanharem, directo plágio à A Descida(2005); e a heroína protege-se com uma gelatina mal cheirosa que confunde os sentidos dos tribais, da mesma forma que Schwarzenegger se cobriu de lama para não ser detectado peloPredador (1987); no final, corta a cabeça ao macho alpha e os outros dispersam e ela foge no bote do iate sem levar consigo a cabeça, o que teria ajudado a provar a sua inocência, porque vai ser a única dos cinco a regressar (partindo do princípio de que se safa).
É na antítese que pode comparar-se o remake de A Última Casa À Esquerda, que recupera um dos mais ineptos filmes de culto de terror dos anos 70. Porta-estandarte de mau gosto e incompetência cénica, a estreia de Wes Craven em 1972 cimentou-se à custa de muita publicidade e pelo facto de encontrar o público desprevenido.
História de sadismo bacoco, supostamente baseada na mesma canção sueca do século XIII que inspirou A Fonte da Virgem, de Ingmar Bergman (1960), A Última Casa À Esquerda tinha como mero mecanismo o choque, mas nem disso sabia tirar partido. Ao contrário da óptica do «são sádicos e está explicado» de Craven, Dennis Lliadis, realizador do remake, acerta com sensibilidade e segurança o peso e leveza a dar a cada momento, sentindo o pulso às emoções do espectador com a precisão de um técnico de som, sempre atento aos picos de volume. Ao choque, juntou melancolia, porque sabe que estamos a assistir a duas mulheres serem violadas e mortas e nada podemos fazer para evitá-lo; contornando o voyeurismo, Lliadis capitaliza na impotência da assistência e na sua sede de retribuição.
Através do esforço consciente e da dedicação aos mais ínfimos pormenores, a sua versão assenta num relato de coragem e sobrevivência, contrariando o determinismo dos cânones clássicos do horror adolescente, dos quais se retira que, por mais inocente, quem se mete na boca do lobo tem de punido pela prevaricação. Aliás, já oremake de Massacre no Texas (2003) premiara Jessica Biel pela sua resistência à ameaça canibal.
Impressionante pela intensidade na condução do suspense, o filme tropeça na execução do showdown climático. A querer evitar o facilitismo, torna-se pouco confiante nas reviravoltas e encerra o episódio com o bizarro de uma cabeça humana a explodir num microondas. Com todo um filme pautado pela credibilidade e pelo realismo, esta cena fica a abanar ao vento, deslocada do resto.
Quanto ao elenco, Garrett Dillahunt (O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford, 2007, e papeis recorrentes nas sériesDeadwood, Os 4400 e Terminator: As Crónicas de Sarah Connor) é o maior trunfo. Aqui no papel de Krug, o líder do clã sociopata, Dillahunt sabe tirar partido da sua postura e, especialmente, do olhar; ele não é puramente mau, mas cauteloso e calculista. A sua maior preocupação é a liberdade e o anonimato, os eventos é que se precipitam e não é capaz de evitar a fúria. Os restantes estão bem, sem especial destaque. As maminhas de Riki Lindhome são a excepção.
O título é que continua por entender, visto que o próprio proprietário indica que a casa mais próxima fica a seis milhas de distância. Portanto, última casa à esquerda de quê?
Last House On The Left 2009

O slogan «Para evitar desmaiar, repita para si próprio que é só um filme, é só um filme», apenso ao cartaz promocional da primeira longa metragem de Wes Craven, seria totalmente dispensável, porque óbvio. A Última Casa À Esquerda (que chegou a ter os títulos provisórios Crime Sexual do Século e Casa de Banho Masculina) não engana o mais distraído.
Com 33 anos, um emprego de taxista e de editor de som no currículo e uma licenciatura em escrita e em psicologia, o futuro criador deFreddy Krueger travou amizade com Sean S. Cunningham (futuro criador de Jason Voorhees e da respectiva saga Sexta Feira 13, iniciada em 1980) e participou como produtor executivo no segundo filme deste, Together (1971). Apesar de Cunningham vir a tornar-se uma referência do terror camp, os seus dois primeiros filmes (The Art of Marriage e Together) eram falsos documentários sobre sexualidade, com pessoas nuas a falarem sobre as suas experiências.
Um ano mais tarde, os papeis inverter-se-iam e A Última Casa À Esquerda foi o resultado da parceria. Craven, sem experiência nem orientação, concebeu um clássico de como não se deve fazer um filme de terror. Actores insuportavelmente maus, total ausência demise en scène e uma banda sonora autista (cenas de tensão mergulhadas em bluegrass prazenteira) e um encadeamento de eventos sem lógica (apesar de virem a conduzir desde a cidade e sem saberem onde Mari mora, tomam o caminho que leva à sua casa e o carro avaria mesmo à porta dela; a violação de Mari é encarada como o evento chocante central, mas Phylis já tinha sido violada na véspera e não se lhe deu a menor relevância; antes que nos apercebamos, a família homicida já se fez hóspede dos Collingwood, sem terem a menor justificação; as peripécias ridículas passadas com os polícias).
A inspiração para A Última Casa À Esquerda terá sido
Desde a sua estreia que se tem tentado elevar o filme a um estatuto que o mesmo não suporta. Os abjectos eventos narrados não são acompanhados do menor desenvolvimento ou análise, constituindo uma mera manifestação de sadismo gratuito, não sendo a inerte naturalidade com que é exibido um sinal de glorificação, mas um exemplo de vulgaridade a todos os níveis técnicos inepta. Com um tratamento capaz, uma réstia de preciosismo ou uma equipa motivada, talvez se pudesse salvar alguma coisa dos destroços, da forma como o produto foi apresentado, apenas se consegue ver o péssimo acabamento de uma matéria prima que já não primava pela qualidade. Aborrecido e incompetente, A Última Casa À Esquerda não assusta, não enoja, não funciona.
Wes Craven é um realizador desigual e inconsistente. Reconhecido como o autor de Pesadelo em Elm Street (1984) e da trilogia Gritos(1996-2000), o seu percurso cinematográfico conta com tantos buracos como buchas, como realizador e produtor. Apesar do seu sucesso emergente, o destino dos restantes envolvidos não foi tão sorridente. Após A Última Casa À Esquerda, Sandra Peabody (a vítima Mari) fez apenas meia dúzia de filmes eróticos; Lucy Grantham (a vítima Phyllis) desligou-se da sétima arte; David Hess (o assassino Krug) perdeu-se em papeis secundários, em inúmeros filmes e séries, chegando a realizar o ignorado To All A Good Night, em 1980; Fred Lincoln (o naifa) realizou, desde 1976, mais de 300 filmes para a indústria pornográfica; e Jeramie Rain (a sádica Sadie) fez apenas três filmes, foi casada com Richard Dreyfuss de 1983 a 1995 e fundou a associação de caridade Mother’s Care.
Se o que ficou acima assinalado não ilustrar suficientemente a nulidade da película, três cenas flagrantes: após fugir dos captores num bosque que conhece (ao contrário deles), e que fica a poucos quilómetros da casa dos pais de Mari, Phyllis corre às voltas e sem grande ímpeto, ao ponto de os perseguidores desistirem e ela, inadvertidamente, vir dar com eles; no fim da perseguição, o naifa desembainha o seu canivete de ponta-e-mola, quando antes de iniciar a perseguição o tinha entregue a outro que ficou para trás (tinha dois canivetes?); os pais de Mari encontram o corpo baleado da filha na margem do lago, ainda de olhos abertos e a mexer a cabeça por vontade própria, mas o pai (médico de profissão) profere solenemente (e sem que os seus lábios mexam, em voiceover): «está morta».
Uma família vai morar para uma casa assombrada e à cabeça, no que parece ser uma entrevista sobre o que aconteceu (portanto, o resto do filme será um flashback), a matriarca diz que não sabe porque é que foram escolhidos para vítimas. Muito timidamente, aventuraria que a razão é estarem lá a morar...
Nunca é bom prenúncio quando um realizador principiante aceita um projecto de terror apenas porque a alternativa é o desemprego. A máxima confirma-se. Se Peter Cornwel assistiu a alguns dos clássicos do género (Amityville, A Queda da Casa de Usher, A Mansão, A Casa do Passado, etc), depressa decidiu que nada tinha a acrescentar ao tema, e nessa sua modéstia se reviu a abordagem aborrecida e sem a menor originalidade que fez ao material. Verdade seja dita que a história já era estéril, mas a vulgaridade com que foram encarados os eventos desprestigiou até os actores Virginia Madsen (desdeSideways, 2003, que se espera uma centelha de talento que tarda em acender) e Martin Donovan (outrora primeira escolha de Hal Hartley). O esforço de realismo é tão ínfimo que um dos personagens, durante uma alucinação, arranha uma superfície até deixar sulcos profundos na madeira e ter os dedos cheios de sangue, mas nessa mesma noite nem sequer usa ligaduras. Tirando isto, ficamo-nos por barulhos estranhos e alguns vultos com mau aspecto e débil mobilidade, um pai de quem todos têm medo quando está alcoolizado mas parece frágil como uma pena e um reverendo (Elias Koteas) com cancro que percebe de espíritos e assombrações. As explicações não fazem o menor sentido (os espíritos estão presos naquela casa porque uma sessão espírita correu mal, porque quiseram ou porque foram enganados? Quem os mumificou e porquê?).
Sem um ambiente fantasmagórico palpável nem uma abordagem minimamente curiosa, O Mensageiro dos Espíritos não passa de uma amostra de quinta categoria da pobreza de ideias que povoa o género na actualidade. Se não bastasse, o filme ainda se afirma baseado em factos reais.
Amanda Righetti e Cerina Vincent são os nomes de cartaz deste direct-to-video que se centra numa espécie de Tomb Raider, com duas equipas de caçadores de trofeus atrás de uma escultura de Baphomet, esquecida algures no interior do antigo hospício. Os sobreviventes do primeiro filme não regressam. Sorte deles.
Com montagem ao ritmo MTV mas claramente a contar os tostões,Return To House On Haunted Hill faz questionar sobre os nomes de Joel Silver e de Robert Zemeckis na produção. E o de Jeffrey Combs a bisar o pindérico papel do médico fantasma sem direito a uma única fala. Víctor García, técnico de efeitos especiais, provou o sabor da câmara com a curta O Ciclo, de 2003, e a mini-série baseada na graphic novel 30 Dias de Noite(Blood Trails, 2007), antes de inquinar neste compósito inútil. A versão unrated conta com uma cena pós-créditos com topless (a escultura de Baphomet é encontrada numa praia).
O remake do filme de 1959 (realizado por William Castle e com Vincent Price) segue a história original de Robb White com pouco mais do que algumas alterações de cosmética, mas nenhum ambiente. Os eventos sucedem-se como caricaturas aborrecidas, com efeitos especiais pedestres e actores que nem se esforçam. O elemento «macabro», ponto de honra do Sr. Espectáculo dos anos 60 (Castle) está totalmente ausente e o manicómio art-déco que substitui a histórica Casa Ennis-Brown (desenhada pelo arquitecto Frank Lloyd Wright e aproveitada em produções tão díspares comoBlade Runner e Chuva Negra) é um mau CGI.
Um excêntrico milionário convida seis desconhecidos para a festa de aniversário da esposa, a realizar num antigo manicómio supostamente assombrado, aos quais oferece uma soma para permanecerem nas instalações até ao final da noite... se ainda respirarem. Nem todos sobrevivem, principalmente por culpa de uma história indigente, de um realizador incapaz e dos efeitos visuais que não convencem um cego. A versão dos Marylin Manson da cançãoSweet Dreams, dos Eurythmics, que pode escutar-se durante os créditos finais, é meramente operática.
O elenco conta com Geoffrey Rush, Famke Janssen, Peter Gallagher, Taye Diggs e Ali Larter, mas nenhum deles deixa a menor marca no celulóide. A crise do ramo imobiliário não prenuncia nada de bom para casas assombradas...
House On Haunted Hill 1999
A Raw Feed continua a editar lixo. Depois de Rest Stop 1 e 2, o trio Shiban, Myrick e Krantz produz um filme que só poderá ser impressionável a hipocondríacos. Enésimo exemplo do mito urbano em que um paciente que entra num hospital para uma operação de rotina e vê os seus problemas aumentarem exponencialmente, com o seu estado a degenerar diariamente e a assistir a diversas experiências inexplicáveis... que afinal não passam de um pesadelo.
A história é mal conduzida desde o início (e os flashbacks não ajudam – quantos flashbacks aguenta este filme?). Quando a colonoscopia de rotina é substituída por uma simpatectomia torácica, ainda pomos em dúvida o que virá a seguir, mas a amputação de uma perna é demais. Intuímos imediatamente, tanto mais que ninguém parece ter uma reacção normal ao sucedido, que a história aponta para o que em BZ (1990), de Adrian Lyne, foi um golpe de génio, mas que entretanto se transformou num recurso laxativo de argumentistas preguiçosos que não sabem como concluir uma história.
O guião de Erik Jendresen é preguiçoso e estereotipado, a testar os limites de tolerância à estupidez. Anedótico e pouco convicto, com a medicação de embrutecimento do paciente a ser receitada igualmente ao público. Não interessa se é sonho ou realidade, nem um nem outro conseguem manter os padrões mínimos de entretenimento.
Tom Cavanagh (Ed), com os seus honestos olhos azuis, defende o papel principal com estoicismo e dignidade, mantendo-se credível entre flashbacks e imbecilidade hospitalar. Entre os actores secundários encontramos Kathleen York (West Wing), Paget Brewster (Huff e Mentes Criminosas), George Newberry (Providence, Reunion e dezenas de outras séries) e Lilyan Chauvin, a velha madre do Silent Night Deadly Night, como enfermeira.
No Natal de 1974, Black Christmas foi o filme choque de Bob Clarke, sobre um assassino nas sombras que eliminava, uma a uma, as estudantes de uma residência universitária feminina. Nunca é indiciada a razão da escolha daquela casa específica nem a motivação dos homicídios. O filme teve pouca adesão numa fase inicial, pensa-se que devido ao título alternativo de estreia Silent Night, Evil Night (por receio de que Black Christmas soasse racista), mas entretanto ganhou estatuto de culto. Surge agora um remake, escrito e dirigido por Glen Morgan, que é uma horrenda fantochada.
Verdade seja dita que muitas alterações foram exigidas ao guião proposto por Glen Morgan, que não incluía as cenas passadas no hospício, não arrancava olhos, ordenava os flashbacks na abertura e Agnes não era filha de incesto. O resultado final, contudo, é o que conta, e este remake não poderia ser menos qualificado. Inventa-se todo um passado atroz para o assassino, que adquire uma tonalidade de pele amarelo-alaranjada por efeito de um problema de fígado, presta-se a sexo anedótico com a mãe e até se canibaliza em churrasco de progenitura, antes de ser enviado para o sanatório. De resto, temos uma residência universitária com moças para todos os gostos (Kristen Cloke, Michelle Trachtenberg, Mary Elizabeth Winstead, Lacey Chabert…) - menos para quem gosta de negras, asiáticas e gordas - e um assassino com a peruca da Mãe Bates e a cara do Mickey Rourke em latex que liga às sobreviventes pelo telemóvel da última vítima, sendo que, invariavelmente, todos os telemóveis têm o mesmo tétrico ringtone natalício.
Black Xmas 2006